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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Níveis de alfabetização

Hipótese pré-silábica

 A criança não registra traços no papel com a intenção de realizar o registro sonoro do que foi proposto para a escrita

Nível 1 – Escrita indiferenciada

 Baixa diferenciação entre a grafia de uma palavra e outra;
 Traços semelhantes entre si;
 Traços descontínuos – se a criança tem maior contato com letras de imprensa;
 Traços contínuos – se a criança tem mais contato com a escrita com letra cursiva;
 O que diferencia uma palavra da outra é a intenção do produtor, portanto, a interpretação só poderá ser feita por quem escreveu;
 Muitas vezes a criança não consegue identificar o que escreveu – leitura instável;
 Costumam grafar palavras de acordo com o tamanho do que está representando;
 Algumas vezes usam como estratégia o pareamento de desenhos com as palavras – para poder ler com mais segurança – mas também pode caracterizar uma certa insegurança ao decidir que letras deva usar. Essa dificuldade acontece porque ainda não compreendem a função da escrita e confundem o que é escrita com desenhos.

Nível 2 – Diferenciação da escrita

 A característica principal das escritas desse nível é a tentativa sistemática de criar diferenciações entre os grafismos produzidos; mas a escrita continua não analisável em partes levando a criança a interpretá-la globalmente;
 Hipótese da quantidade mínima de caracteres e a necessidade de variá-los;
 Já possuem a intenção de objetivar as diferenças do significados das palavras;
 Arranjam as letras que conhecem – por poucas que sejam
 Na figura abaixo, Bárbara demonstra notável aquisição cognitiva quando arranja as 6 letras que conhece (I-E-A-F-L-P) de forma a representar as palavras sugeridas
 Nesta idade ainda não tem mecanismo para comparar palavras que não estejam próximas.
 Neste nível poderá ter se apropriado de algumas escritas estáveis – principalmente do próprio nome

Hipótese silábica

 A criança inicia a tentativa de estabelecer relações entre o contexto sonoro da linguagem e o contexto gráfico do registro;
 A estratégia da criança é a de atribuir a cada letra ou marca escrita o registro de uma sílaba falada; essa marca poderá ser uma letra (com valor sonoro convencional ou não), pseudoletra, número;
 A criança começa a perceber que a escrita representa partes sonoras da fala;
 Conflito, principalmente quando tem que escrever palavras monossílabas – para eles é necessário um número mínimo de letras para cada palavra;
 Muitas vezes enxertam letras no meio ou final das palavras para que possa parecer estar escrito uma palavra correta;
 Não é necessário empregar o valor sonoro convencional das letras – P poderá representar a sílaba BA, por exemplo.
 Esse conflito (número mínimo de letra), acaba por ser deixado de lado, num determinado momento da evolução da criança predominando apenas a lógica da hipótese silábica .

Hipótese silábico-alfabética

 Neste nível a criança utiliza a hipótese silábica e alfabética da escrita, ao mesmo tempo - momento de transição: a criança não abandonou a hipótese anterior, mas já ensaia novos avanços.
 Esses avanços só podem ocorrer se forem oferecidas informações às crianças através de formas fixas que permitam o refinamento da aprendizagem do valor sonoro convencional das letras e das oportunidades de comparar os diversos modos de interpretação da mesma escrita.

Hipótese alfabética

 Aqui a criança já venceu todos os obstáculos conceituais para a compreensão da escrita – cada um dos caracteres da escrita corresponde a valores sonoros menores que a sílaba – e realiza sistematicamente uma análise sonora dos fonemas das palavras que vai escrever.
 Não há a superação total dos problemas – ainda não domina as regras normativas da ortografia.
 Nesta produção, a criança dominou o código da escrita, mas não as regras ortográficas – perceba que ela não teve medo de escrever, o que não ocorre com a maioria das crianças quando iniciam a escolaridade;
 Essa inconstância com a ortografia não é permanente e a superação das falas depende de ensino sistemático, já que não são dedutíveis como a construção da escrita.

Clique na figura a seguir para obter uma tabela de desenvolvimento da escrita.

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Professora da Educação Básica, atuando também na universidade. Doutoranda, procuro entender os processos cognitivos envolvidos na produção da referenciação em textos narrativos.